ARTIGO - Quando a Dor se Transforma em Violência: O Limite Inegociável da Vida
Por Dra. Catiane Malta,Escrevo este artigo tomada por indignação, tristeza e profunda preocupação com os rumos que estamos tomando enquanto sociedade.
Recentemente, um homem, ao descobrir uma suposta traição, tirou a vida dos próprios filhos e, em seguida, a própria vida. Duas crianças inocentes foram mortas não por qualquer responsabilidade que tivessem, mas como instrumento de vingança, de dor, de descontrole emocional. É devastador. É inadmissível.
Nada, absolutamente nada, justifica a morte de uma criança. Nada tem mais valor do que uma vida.
Ainda mais alarmante é observar que, diante de uma tragédia dessa magnitude, surgem vozes tentando transferir a culpa para a mulher. Independentemente de ter havido traição ou não, uma coisa não anula a outra. Se houve infidelidade, estamos diante de uma questão conjugal, moral, íntima. Mas homicídio é crime. Violência contra filhos é crime. Assassinato jamais será resposta legítima para frustração, ciúme ou sofrimento.
Precisamos deixar isso muito claro: responsabilidade é individual. O autor da violência é o único responsável pelo ato cometido. Relativizar o crime com justificativas emocionais ou circunstanciais é relativizar a própria violência, e isso silencia vítimas, enfraquece a proteção à vida e distorce valores fundamentais.
O que mais nos preocupa é perceber que a violência doméstica tem ultrapassado limites cada vez mais graves. Quando filhos passam a ser atingidos como forma de retaliação entre adultos, chegamos a um nível de desumanização que exige uma reflexão urgente.
Onde vamos parar?
Não podemos permitir que sentimentos de raiva ou traição sejam tratados como atenuantes morais para a barbárie. Dor não autoriza violência. Sofrimento não legitima crime. Decepção não pode ser argumento para tirar vidas.
Como advogada, reafirmo meu compromisso com a defesa intransigente da vida e da responsabilidade individual. Como mulher e como cidadã, repudio qualquer tentativa de justificar o injustificável.
Se começarmos a aceitar explicações para o assassinato de crianças, estaremos falhando não apenas como sociedade, mas como humanidade. A vida é um limite inegociável. Sempre.
Não Há ‘Mas’ Quando Falamos de Assassinato.
Por Catiane Malta