ARTIGO - UM DEMÔNIO DENOMINADO EPSTEIN!
Por Luis Claudio Gerhardt Steglich Advogado e Teólogo ,ARTIGO - UM DEMÔNIO DENOMINADO EPSTEIN!
No período da pandemia do COVID 19, um dos meus atos se resumiu a matricular e realizar – em forma EAD – o curso de bacharelado em TEOLOGIA. Claro que, muitas curiosidade e dúvidas de nossa vivência na fé, me levaram a buscar tal área. Um dos principais focos, curiosamente, era tentar racionalmente compreender Deus e seus desígnios, ou a ausência dele. Neste aspecto uma das cadeiras do curso me chamou a atenção: Demoniologia.
Era algo bastante estranho e, admito, havia uma curiosidade para compreender o que motiva uma pessoa a se ausentar completamente da crença em Deus, dos valores religiosos, em especial os valores cristãos, e tomar condutas que consideramos puramente imorais (a co-relação de Poder, Ego, Cobiça, Sexo e Libertinagem). O que levaria um sujeito a cultuar algo que traduzisse a valores de maldade, representado na figura do demônio?! Iniciamos a cadeira e, de 72 alunos inicialmente matriculados, encerramos em 07. Devo admitir que, em muito momentos, quase pensei em não prosseguir, porque de forma pragmática e sistemática nosso professor Msr Rubens Zini (exorcista membro da Associação Internacional dos Exorcistas) destacava claramente os motivos que levavam pessoas a seguir tal seita, ou seitas, e (o que mais impressionava) suas práticas. Algo que poderíamos definir como surreal. Era sim, difícil de acreditar que aqueles relatos, imagens e situações ocorriam e, o ser humano em pleno terceiro milênio era capaz de realiza-los e, acima de tudo, acreditar nisso. Tais atitudes são chamadas de neopaganismo. Mas, eis que surge o caso Epstein.
Para quem não está familiarizado com o caso Epstein, através da divulgação dos seus arquivos, descobriu-se uma rede internacional de trafico de crianças, mulheres e lavagem de dinheiro, com a finalidade de satisfazer os desejos mais promíscuos, alcançar poder através de chantagens e, aquilo que parecia surreal no curso do Monsenhor Zini, a crença no cumprimento ritualístico a demônios. Uma série de aberrações são expostas pela justiça americana que vão desde atos próprios, como a promoção em contatos internacionais de pessoas, bandeiras ideológicas (de direita e de esquerda), músicas, filmes, políticos e membro do poder público de alto escalão (em especial membros de lideranças religiosas, forças policiais, dos poderes legislativo, executivo, judiciário e das procuradorias que, para acenderem nos cargos ou dar decisões, aceitavam se submeter a ordens – ou chantagens – de líderes satânicos, desde que suas imagens não fossem expostas). Algo extremamente grave e, por muito ainda, impensável em democracias liberais e, porque não dizer, até em regimes autoritários. Mais especificamente no nosso caso (Brasil), fere nosso ordenamento jurídico e princípios constitucionais.
Os atos, mesmo que realizados no exterior, atingiram diretamente nosso país. Conforme os relatos foram sendo divulgados, surgiu numero de crianças e mulheres oriundas do Brasil: mais de 9.000 almas. Só no Brasil! Casos de sequestro de crianças (hospitais, eventos e lugares movimentados) e raptos de mulheres (ofertas de um futuro melhor e promissor em outros lugares), compra de crianças indígenas (baseado na cultura de algumas tribos que, por exemplo, não aceitam crianças gêmeas) e de pessoas miseráveis (pelo dinheiro oferecido em razão do estado de necessidade e falta de educação). Tudo isso associado, tudo indica pelos relatórios, a corrupção de autoridades públicas que deveriam zelar pelos vulneráveis e protege-los) e lideranças religiosas (que pregam o valores religiosos, mas praticam satanismo), tudo com valor de fundos de investimentos (mantidos pelas elites econômica e política mundial, incluindo gurus que se auto declaram da direita ou da esquerda). Algo profundamente enraizado numa visão histórica escravocrata, seja de submissão a quem tem poder econômico e politico, seja por quem tem condições e se submete as malícias dos poder e seu sentimento de impunidade. Os “coronéis” do Brasil moderno (muitos se auto denominando cristãos e defensores do valor moral) que não aceitam terem sua influencia e poder diminuídos, e se associam a tudo tentando utilizar-se do Poder Público como se fosse algo privativo seu, para alcançar seus objetivos no “custe o que custar” contribuem indiretamente para esse cenário de terror, já que constrangem as pessoas a dizer e denunciar a verdade (muitos quando falam, sofrem perseguições e processos).
Neste sentido cabe a nós, além de orarmos e denunciarmos de forma vigilante todos os atos que vimos em nosso cotidiano, sensibilizar autoridades e lideranças no sentido de coibir tais práticas. Em tempo, tal verdade se deve a um ator principal que teve a coragem de denunciar e expor os casos e oportunizar às vítimas suas defesas: Papa Francisco. Tal atitude louvável (após tantas denuncias contra a Igreja), demonstrou coragem e, com seu sucessor Papa Leao XIV (que mantem escritórios de advocacia mantidos pelo Vaticano contratados para denunciar corruptores e atender vitimas) que buscou unir as demais Igrejas e religiões (anglicanos, luteranos, evangélicos, batistas, mulçumanos, judeus, budistas, hinduístas, afro, dentre outros) no pleito pela justiça e contra essa pratica odiosa do satanismo ou neopaganismo. Importante sempre, e devemos ressaltar, que as religiões afros (umbanda, candomblé e quimbanda) e espiritas, são religiões de Luz na busca de Deus e de Cristo, e são distoantes de toda e qualquer prática religiosa que faça o mal. Tudo em busca da defesa e quem e vulnerável.
Ao concluir, sempre buscando compreender o que traduz a verdadeira prática do bem, é sempre importante esclarecer que todos nos possuímos defeitos e cometemos erros. Já julgamos ou formos julgados por atitudes com maior ou menor indignação, de forma justa ou injusta, não somos perfeitos. Mas o objetivo que nos cerca é o que define. O que vale alcançar nossa estabilidade financeira e emocional? O que nos motiva buscar e crescer como pessoa? Vale a pena ser feliz, e qual é a felicidade que queremos? Nossa saúde e nossa fé são vitais para isso? Acredito que sim, e mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos (vitórias ou derrotas), por mais amarga que sejam, Deus é um caminho de aprimoramento e respostas, já o demônio Epstein, e seus deuses, nunca serão.
Luis Claudio Gerhardt Steglich
Advogado e Teólogo